Domingo, 5 de Abril de 2009

Equilíbrio

Num reino na China, dois criminosos foram condenados à morte. No último minuto, o rei, para mostrar sua compaixão, disse aos condenados: vocês tẽm ainda mais uma chance de viver. Se forem corajosos e tiverem equilíbrio, atravessem este abismo sobre uma corda suspensa, caminhando. Quem chegar ao outro lado estará livre da pena.

O primeiro condenado caminhou sobre a corda e rapidamente chegou ao outro lado.

Maravilhado, o segundo perguntou: como você fez para chegar aí sem cair? Ao que o primeiro respondeu:
- Bem, quando eu sentia que ia cair para um lado, pendia meu corpo para o outro, e vice-versa.

Calma

Ch’ui, o projetista,
Sabia desenhar círculos mais perfeitos a mão livre,
do que com o compasso.

Seus dedos traziam
formas espontâneas do nada.
Enquanto isso,

a mente mantinha-se livre e despreocupada
com o que estava fazendo.

Nenhuma aplicação era necessária.
Sua mente era inteiramente simples
E não conhecia obstáculos.

Assim, quando o sapato se adapta,
esquece-se o pé.
Quanto o cinto se adapta,
o ventre é esquecido.
Quando o coração está bom,
o “pró” e o “contra” são esquecidos.

Nada de anseios, nada de compulsões,
Nada de necessidades, nada de atrações!

Então seus assuntos
Estão sob controle.
Você é um ser livre.

O calmo é certo.
Comece certo

e você estará calmo.
Continue calmo e você estará certo.
A maneira correta de ir com calma,
é esquecer-se da maneira correta
e esquecer-se de que a ida é fácil.

- Chuang Tsu

Terça-feira, 24 de Março de 2009

Simples, mas não fácil ...

Coma quando estiver com fome, durma quando estiver com sono, esqueça o passado, não se preocupe com o futuro ...

Domingo, 8 de Março de 2009

O Suficiente

Quem se satisfaz com o suficiente, sempre tem o suficiente.

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Onde Vai?

Em dois mosteiros vizinhos viviam dois jovens monges muito amigos.
De manhã, sempre os monges se encontravam, cada um cuidando de seus afazeres.
Certo dia, um dos monges estava varrendo o pátio de seu templo e, vendo aproximar-se o amigo, perguntou:
"Olá! Onde vais?"
O amigo respondeu, feliz:
"Vou aonde meus pés me levarem..."
O monge ficou intrigado com a resposta e comentou com seu mestre. Este lhe disse:
"Da próxima vez, diga-lhe: 'E se não tivesses pés?'"
Quando o jovem noviço viu o amigo de novo na manhã seguinte, fez a mesma pergunta já antecipando o momento em que pegaria o amigo de jeito, desta vez:
"Onde vais?"
Mas o outro disse:
"Aonde o vento me levar!"
O monge ficou frustado! Voltou ao mestre e contou a nova resposta, e este, sorrindo, disse:
"Da próxima vez, diga-lhe: 'E se o vento parasse de soprar?'"
O jovem monge ficou encantado com a idéia:
"Sim, sim! Essa é boa! Agora ele não me escapa!"
No dia seguinte, ao amanhecer, ele viu seu amigo aproximando-se de novo. Perguntou-lhe:
"Olá! Onde vais?"
O amigo parou, sorriu-lhe, e falou suavemente:
"Simplesmente vou ao mercado, meu amigo...", e seguiu seu caminho.

Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Dez Recomendações

  1. SOBRE O CORPO: não peça que todas as doenças sejam eliminadas, pois, quando o corpo está a salvo de todas as doenças, a cobiça logo surge. Quando a cobiça aparece, os preceitos são quebrados e o progresso se transforma em retrocesso.
  2. SOBRE A GESTÃO DOS ASSUNTOS TERRENOS: não peça que todas as tarefas sejam fáceis, pois, quando tudo é muito fácil, o orgulho logo brota na mente. Quando o orgulho surge, a petulância e a mentira aparecem.
  3. SOBRE O PENSAMENTO: não peça que o raciocínio seja sempre desimpedido, pois, quando o pensamento não encontra obstáculos, rapidamente se torna febril e irregular. Quando o pensar assume essas qualidades, surge a ilusão e passamos a acreditar que o falso é verdadeiro e o verdadeiro, falso.
  4. SOBRE A PRÁTICA DO BUDISMO: não peça que não haja provações, pois, quando alguém não é testado, seus votos não se fortalecem. Quando os votos não são firmes, podemos facilmente ser levados a acreditar que foi alcançado o que ainda não alcançamos.
  5. SOBRE O PLANEJAMENTO: não peça que planejar seja sempre simples, pois, quando tal acontece, a vontade torna-se fraca e ineficaz. Quando a vontade da pessoa é fraca e ineficaz, ela pode se convencer de que tem menos capacidades do que realmente tem.
  6. SOBRE AS AMIZADES: não peça que tudo seja sempre feito à sua maneira, pois, quando esse é o caso, logo perdemos a noção do que é certo e errado. Quando essa noção é perdida, tendemos a acusar os outros por qualquer coisa que vá mal.
  7. SOBRE AS PESSOAS: não peça que os outros sempre acatem sua liderança, pois, quando isso acontece, a arrogância logo desponta. Quando alguém se torna arrogante, passa a aferrar-se aos apegos do ego.
  8. SOBRE A MORALIDADE: não peça para ser recompensado por seu comportamento moral, pois, quando isso acontece, tornamo-nos logo calculistas em relação a tudo o que fazemos. Quando alguém se torna calculista, começa a ansiar por fama e boa reputação.
  9. SOBRE OS LUCROS: não peça por sempre obter parte dos lucros pois, quando isso acontece, logo surgem a preguiça e a morosidade. Quando alguém se torna preguiçoso e lerdo, logo se prejudica.
  10. SOBRE AS FALSAS ACUSAÇÕES: não tente se justificar ou explicar, pois isso apenas fortalece a ilusão da individualidade isolada. Quando surge a ilusão da individualidade isolada, pensamentos de ira e vingança não demoram a se apresentar.
- Grande Mestre Hsing Yün

Zen

Estudar o Zen é estudar a si mesmo,
Estudar a si mesmo é esquecer de si mesmo,
Esquecer de si mesmo é estar Uno com todas as coisas.

- Mestre Dogen

Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Oito Ventos

Lucro e prejuízo,
difamação e fama,

elogio e repreensão,
sofrimento e alegria,

são todos impermanentes;
portanto ...
por que deveriam ser causa de satisfação
ou de insatisfação?

— extraído do Vinaya Mahasanghika

Estejamos atentos

Seja cuidadoso com as palavras,
comedido com o corpo,
atento ao funcionamento da mente,
paciente com os insultos,
nunca se enraiveça;
esse é o caminho para grandes progressos.

— extraído do Dhammapada

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Buscando por Buddha

Um monge pôs-se a caminho de uma longa peregrinação para encontrar Buddha. Ele levou muitos anos em sua busca até alcançar a terra onde dizia-se que vivia Buddha. Ao cruzar o sagrado rio que cortava este país, o monge olhava em torno enquanto o barqueiro conduzia o bote. Ele percebeu algo flutuando em sua direção. Quando o objeto chegou mais perto, ele viu que era um cadáver - e que o morto era ele mesmo!
O monge perdeu todo o controle e deu um grito de dor à visão de si mesmo, rígido e sem vida, flutuando suavemente na corrente do grande rio.
Neste instante percebeu que ali estava começando sua busca pela liberação...
E então ele soube definitivamente que sua procura por Buddha havia terminado.

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Impermanência

Um famoso mestre espiritual aproximou-se do Portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se aonde o Rei em pessoa estava solenemente sentado, em seu trono.
"O que vós desejais?" perguntou o Monarca, imediatamente reconhecendo o visitante.
"Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria," replicou o professor.
"Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem, "disse o Rei, divertido, "Este é o meu palácio."
"Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?" perguntou o mestre.
"Meu pai. Ele está morto."
"E a quem pertenceu antes dele?"
"Meu avô," disse o Rei já bastante intrigado, "Mas ele também está morto."
"Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem - vós me dizeis que tal lugar NÃO É uma hospedaria?"

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

O Segredo

Um monge perguntou para o mestre, "Mestre, por favor, me ensine o segredo do buddhismo."

"Ah sim, mas hoje tem muita gente, quando tiver mais ninguém, vou te ensinar", disse o mestre.

No dia seguinte, o monge chegou de novo, "Mestre, tem mais ninguém, me ensine agora."

"Ah, vem cá." E foi para o jardim. Aí o mestre disse:

"Está vendo? Esta árvore é alta e aquela outra é baixa. Este é que é o segredo do buddhismo."


(Ryotan Tokuda Igarashi, Psicologia Budista)

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Professor de Sino

Um novo estudante aproximou-se do mestre Zen e perguntou-lhe como ele poderia absorver seus ensinamentos de forma correta.
"Pense em mim como um sino," o mestre explicou. "Me dê um suave toque, e eu irei lhe dar um pequeno tinido. Toque-me com força e você receberá um alto e profundo badalo."

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Trabalhando Duro

Um estudante foi ao seu professor e disse fervorosamente:
"Eu estou ansioso para entender seus ensinamentos e atingir a Iluminação! Quanto tempo vai demorar para eu obter este prêmio e dominar este conhecimento?"

A resposta do professor foi casual:

"Uns dez anos..."

Impacientemente, o estudante completou:
"Mas eu quero entender todos os segredos mais rápido do que isto! Vou trabalhar duro! Vou praticar todo o dia, estudar e decorar todos os sutras, farei isso dez ou mais horas por dia!! Neste caso, em quanto tempo chegarei ao objetivo?"

O professor pensou um pouco e disse:
"Vinte anos."

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

O Tao e o Mundo

Certa vez, o mestre Zen Fa-yun disse aos seus discípulos:
"Suponham que estejam em uma situação na qual, se avançarem perderão o Tao [o sentido da Vida], se recuarem, perderão o Mundo [a vivência Cotidiana], e se não se moverem, terão demonstrado uma ignorância tão grande quanto a de uma pedra. O que fariam?"
Um dos monges, confuso, disse:
"Neste caso, como evitar parecer ignorante?"
O Mestre respondeu:
"Abandonem o Apego e a Aversão, e saibam realizar todo seu potencial."
"Mas," replicou outro monge, “neste caso, como evitar perder o Tao ou o Mundo?! Ambos são fundamentais. Como podemos existir ignorantes do Sentido da Vida, ou ignorantes da maravilha da Existência Cotidiana?"
O sábio declarou, enfim:
"Avancem e recuem ao mesmo tempo, com fluidez e humildade!"

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Nada santo

Certa vez Bodhidharma foi levado à presença do Imperador Wu, um devoto benfeitor buddhista, que ansiava receber a aprovação de sua generosidade pelo sábio. Ele perguntou ao mestre:
"Nós construímos templos, copiamos os sutras sagrados, ordenamos monges e monjas. Qual o mérito, reverenciado Senhor, da nossa conduta?"
"Nenhum mérito, em absoluto", disse o sábio.
O Imperador, chocado e algo ofendido, pensou que tal resposta com certeza estava subvertendo todo o dogma buddhista, e tornou a perguntar:
"Então qual é o Santo Dharma, o Primeiro Princípio?"
"Um vasto Vazio, sem nada santo dentro dele", afirmou Bodhidharma, para a surpresa do Imperador. Este ficou furioso, levantou-se e fez sua última pergunta:
"Quem és então, para ficares diante de mim como se fosse um sábio?"
"Eu não sei, Majestade", replicou o sábio, que assim tendo dito virou-se e foi embora.

Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Tudo

Toda a lua e todo o céu se refletem em uma gota de orvalho na grama.
- Dogen

Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Os Portais do Paraíso

Um orgulhoso guerreiro chamado Nobushige foi até Hakuin, e perguntou-lhe: "Se existe um paraíso e um inferno, onde estão?"
"Quem é você?" perguntou Hakuin.
"Eu sou um samurai!" o guerreiro exclamou.
"Você, um guerreiro!" riu-se Hakuin. "Que espécie de governante teria tal guarda? Sua aparência é a de um mendigo!".
Nobushige ficou tão raivoso que começou a desembainhar sua espada, mas Hakuin continuou:
"Então você tem uma espada! Sua arma provavelmente está tão cega que não cortará minha cabeça..."
O samurai retirou a espada num gesto rápido e avançou pronto para matar, gritando de ódio. Neste momento Hakuin gritou:
"Acabaram de se abrir os Portais do Inferno!"
Ao ouvir estas palavras, e percebendo a sabedoria do mestre, o samurai embainhou sua espada e fez-lhe uma profunda reverência.
"Acabaram de se abrir os Portais do Paraíso," disse suavemente Hakuin.

O Mestre Certo

Os mestres Da-yu e Yu-tang aceitaram o convite para ensinar um alto oficial imperial sobre o Zen. Ao chegar Yu-tang apressou-se em dizer, politicamente:
"Vós pareceis um homem inteligente e receptivo, e isso é muito bom! Creio que serias um bom aprendiz Zen."
Mas Da-yu replicou, sem preocupar-se com suavidades:
"O que dizeis?! Este tolo pode ter uma alta posição, mas não perceberia o Zen nem se este lhe caísse na cabeça!"
O oficial, após ouvir os comentários, disse:
"Ouvindo o que ouvi, agora sei o que fazer para entender o Zen."
A partir de então, tornou-se estudande sob a orientação de Da-yu...

Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Uma xícara de Chá

Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen.
Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.

Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.
O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
"Está muito cheio. Não cabe mais chá!"
"Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"

Concentração

Após ganhar vários torneios de Arco e Flecha, o jovem e arrogante campeão resolveu desafiar um mestre Zen que era renomado pela sua capacidade como arqueiro.
O jovem demonstrou grande proficiência técnica quando ele acertou em um distante alvo na mosca na primeira flecha lançada, e ainda foi capaz de dividi-la em dois com seu segundo tiro.
"Sim!", ele exclamou para o velho arqueiro, "Veja se pode fazer isso!"
Imperturbável, o mestre não preparou seu arco, mas em vez disso fez sinal para o jovem arqueiro segui-lo para a montanha acima. Curioso sobre o que o velho estava tramando, o campeão seguiu-o para o alto até que eles alcançaram um profundo abismo atravessado por uma frágil e pouco firme tábua de madeira. Calmamente caminhando sobre a insegura e certamente perigosa ponte, o velho mestre tomou uma larga árvore longínqua como alvo, esticou seu arco, e acertou um claro e direto tiro.
"Agora é sua vez," ele disse enquanto ele suavemente voltava para solo seguro.
Olhando com terror para dentro do abismo negro e aparentemente sem fim, o jovem não pôde forçar a si mesmo caminhar pela prancha, muito menos acertar um alvo de lá.
"Você tem muita perícia com seu arco," o mestre disse, percebendo a dificuldade de seu desafiante, "mas você tem pouco equilíbrio com a mente que deve nos deixar relaxados para mirar o alvo."

Domingo, 28 de Dezembro de 2008

Percepções

Nossas percepções carregam consigo todos os erros da subjetividade. Por isso elogiamos, culpamos, condenamos ou nos queixamos, dependendo das percepções. Só que nossas percepções são formadas pelas aflições - desejo, raiva, ignorância, visões errôneas e preconceitos. Ser feliz ou sofrer depende inteiramente das nossas percepções. É importante examinar as nossas percepções e desvendar a sua origem.
- Thich Nhat Hanh

Estudar o Caminho

Estudar o Caminho de Buda é estudar a si mesmo. Estudar a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser iluminado por tudo que existe. Transcender corpo e mente seu e dos outros. Nenhum traço de iluminação permanece e a Iluminação é colocada à disposição de todos os seres.
-
Eihei Dogen (1200-1253)

Sábado, 27 de Dezembro de 2008

Seguindo a corrente

Um velho homem bêbado acidentalmente caiu nas terríveis corredeiras de um rio, que levavam para uma alta e perigosa cascata.
Ninguém jamais tinha sobrevivido àquele rio. Algumas pessoas que viram o acidente temeram pela sua vida, tentando desesperadamente chamar a atenção do homem que, bêbado, estava quase desmaiado.
Mas, miraculosamente, ele conseguiu sair salvo quando a própria correnteza o despejou na margem em uma curva que fazia o rio.

Ao testemunhar o evento, Kung-tzu (Confúcio) comentou para todas as pessoas que diziam não entender como o homem tinha conseguido sair de tão grande dificuldade sem luta:
"Ele se acomodou à água, não tentou lutar com ela. Sem pensar, sem racionalizar, ele permitiu que a água o envolvesse. Mergulhando na correnteza, conseguiu sair da correnteza. Assim foi como conseguiu sobreviver."

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Plena Consciência

1. Não idolatrar nenhuma doutrina, teoria, seja ela qual for, incluindo o budismo. Os sistemas de pensamento budistas devem ser considerados como guias para a prática e não como a verdade absoluta.

2. Não pensar que se possui um saber imutável ou a verdade absoluta. Há que evitar a estreiteza da mente e o apego aos pontos de vista pessoais. Aprender a praticar a via do não apego de maneira a permanecer aberto aos pontos de vista dos outros. A verdade só pode ser encontrada na vida e não nos conceitos. Há que estar disponível para continuar a aprender ao longo de toda a vida e a observar a vida em si mesmo e no mundo.

3. Não forçar os outros, incluindo as crianças, a adoptar os nossos pontos de vista seja por que meios forem: autoridade, ameaça, dinheiro, propaganda ou educação. Respeitar as diferenças entre os seres humanos e a liberdade de opinião de cada qual. Saber, no entanto, utilizar o diálogo para ajudar a renunciar ao fanatismo e à estreiteza do espírito.

4. Não evitar o contacto com o sofrimento nem fechar os olhos diante dele. Não perder a plena consciência sobre a existência do sofrimento no mundo. Encontrar meios de aproximação para com os que sofrem, seja mediante contactos pessoais, visitas, imagens, sons. Despertar e despertar os outros para a realidade do sofrimento no mundo.

5. Não acumular dinheiro nem bens quando milhões de seres sofrem de fome. Não converter a glória, o proveito, a riqueza ou os prazeres sensuais na finalidade da vida. Viver simplesmente e compartir o tempo, a energia e os recursos pessoais com os que necessitam.

6. Não conservar a cólera ou o ódio. Aprender a examinar e a transformar a cólera e o ódio quando ainda não são mais que sementes nas profundidades da consciência. Ao manifestar-se a cólera e o ódio, devemos focar a atenção na respiração e observar de modo penetrante a fim de ver e compreender a natureza desta cólera ou ódio, assim como a natureza das pessoas que se supõe serem a sua causa. Aprender a ver os seres com os olhos da compaixão.

7. Não se perder, deixando-se levar pela dispersão ou pelas circunstâncias envolventes. Praticar a respiração consciente e focar a atenção no que está a acontecer neste instante presente. Entrar em contacto com aquilo que é maravilhoso, pleno de vigor e de frescura. Semear em si mesmo sementes de paz, de alegria e de compreensão de maneira a favorecer o processo de transformação nas profundidades da consciência.

8. Não pronunciar palavras que possam semear a discórdia e provocar a ruptura da comunidade. Mediante palavras serenas e de actos apaziguadores, fazer todos os esforços possíveis para reconciliar e resolver todos os conflitos, por pequenos que sejam.

9. Não dizer falsidades para preservar o interesse próprio ou para impressionar os outros. Não proferir palavras que semeiem a divisão e o ódio. Não difundir notícias sem ter a certeza de que são seguras. Falar sempre com honestidade e de maneira construtiva. Ter a coragem de dizer a verdade sobre as situações injustas mesmo que a nossa própria segurança fique ameaçada.

10. Não utilizar a comunidade religiosa para o interesse pessoal nem a transformar em partido político. A comunidade em que vivemos deve, contudo, tomar uma posição clara contra a opressão e a injustiça e esforçar-se por mudar a situação sem se envolver em conflitos partidários.

11. Não exercer profissões que possam causar dano aos seres humanos ou à natureza. Não investir em companhias que explorem os seres humanos. Eleger uma ocupação que ajude a realizar o ideal próprio de vida com compaixão.

12. Não matar. Não deixar que outros matem. Utilizar todos os meios possíveis para proteger a vida e prevenir a guerra. Trabalhar para o estabelecimento da paz.

13. Não querer possuir nada que pertença a outrem. Respeitar os bens dos outros, mas impedir qualquer tentativa de enriquecimento à custa do sofrimento de outros seres vivos.

14. Não maltratar o corpo. Aprender a respeitá-lo. Não o considerar unicamente como um instrumento. Preservar as energias vitais (sexual, respiração e sistema nervoso) através da prática da Via. A expressão sexual não se justifica sem verdadeiro amor e sem compromisso. Em relação às relações sexuais, tomar consciência do sofrimento que podem causar no futuro a outras pessoas. Para assegurar a felicidade dos outros há que respeitar os seus direitos e compromissos. Estar plenamente consciente das suas próprias responsabilidades na hora de trazer ao mundo novos seres. Meditar sobre o mundo a que trazemos estes seres.

-
Thich Nhat Hanh

Domingo, 9 de Novembro de 2008

O Mais Importante Ensinamento

Um renomado mestre Zen dizia que seu maior ensinamento era este: Buddha é a sua mente.
De tão impressionado com a profundidade implicada neste axioma, um monge decidiu deixar o Monastério e retirar-se em um local afastado para meditar nesta peça de sabedoria.
Ele viveu 20 anos como um eremita refletindo no grande ensinamento.
Um dia ele encontrou outro monge que viajava na através da floresta próxima à sua ermida.
Logo o monge eremita soube que o viajante também tinha estuda sob o mesmo mestre Zen.
"Por favor, diga-me se você conhece o grande ensinamento do mestre", perguntou ansioso ao outro.
Os olhos do monge viajante brilharam:
"Ah! O mestre foi muito claro sobre isto. Ele disse que seu maior ensinamento era: Buddha NÃO é a sua mente."

Como uma onda

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar

- Lulu Santos / Nelson Motta

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Não acredite ...

Não acredite em algo simplesmente porque você ouviu;
Não acredite em tradições porque elas existem há muitas gerações;
Não acredite em algo porque é dito por muitos;
Não acredite meramente em afirmações escritas de sábios antigos;
Não acredite em conjecturas;
Não acredite em algo como verdade por força do hábito;
Não acredite meramente na autoridade de seus mestres e anciãos.
Somente após a observação e análise, e quando for de acordo com a razão
e condutivo para o bem e benefício de todos, somente então aceite e viva para isso.

- Buda

Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Duelo de Chá

Um mestre da cerimônia do chá no antigo Japão certa vez acidentalmente ofendeu um soldado, ao distraídamente desdenhá-lo quando ele pediu sua atenção. Ele rapidamente pediu desculpas, mas o altamente impetuoso soldado exigiu que a questão fosse resolvida em um duelo de espadas. O mestre de chá, que não tinha absolutamente nenhuma experiência com espadas, pediu o conselho de um velho amigo mestre Zen que possuía tal habilidade. Enquanto era servido de um chá pelo amigo, o espadachim Zen não pôde evitar notar como o mestre de chá executava sua arte com perfeita concentração e tranqüilidade.
"Amanhã," disse o mestre Zen, "quando você duelar com o soldado, segure sua arma sobre sua cabeça como se estivesse pronto para desferir um golpe, e encare-o com a mesma concentração e tranqüilidade com que você executa a cerimônia do chá".
No dia seguinte, na exata hora e local escolhidos para o duelo, o mestre de chá seguiu seu conselho. O soldado, também já pronto para atacar, olhou por muito tempo em silêncio para a face totalmente atenta porém suavemente calma do mestre de chá. Finalmente, o soldado lentamente abaixou sua espada, desculpou-se por sua arrogância, e partiu sem ter dado um único golpe.

Quando cansado...

Um estudante perguntou a Joshu, "Mestre, o que o Satori?"
O mestre replicou: "Quando estiver com fome, coma. Quando estiver cansado, durma."

O Mudo e o Papagaio

Um jovem monge foi até o mestre Ji-shou e perguntou:
"Como chamamos uma pessoa que entende uma verdade mas não pode explicá-la em palavras?"
Disse o mestre:
"Uma pessoa muda comendo mel".
"E como chamamos uma pessoa que não entende a verdade, mas fala muito sobre ela?"
"Um papagaio imitando as palavras de uma outra pessoa".

Apenas duas palavras

Havia um certo Monastério Soto Zen que era muito rígido. Seguindo um estrito voto de silêncio, a ninguém era permitido falar. Mas havia uma pequena exceção a esta regra: a cada 10 anos os monges tinham permissão de falar apenas duas palavras. Após passar seus primeiros dez anos no Monastério, um jovem monge foi permitido ir ao monge Superior.
"Passaram-se dez anos," disse o monge Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?"
"Cama dura..." disse o jovem.
"Entendo..." replicou o monge Superior.
Dez anos depois, o monge retornou à sala do monge Superior.
"Passaram-se mais dez anos," disse o Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?"
"Comida ruim..." disse o monge.
"Entendo..." replicou o Superior.
Mais dez anos se foram e o monge uma vez mais encontrou-se com o seu Superior, que perguntou:
"Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer, após mais estes dez anos?"
"Eu desisto!" disse o monge.
"Bem, eu entendo o porquê," replicou, cáustico, o monge Superior. "Tudo o que você sempre fez foi reclamar!"

Cipreste

Um monge perguntou ao mestre:
"Qual o significado de Dharma-Buddha?"
O mestre apontou e disse:
"O cipreste no jardim."
O monge ficou irritado, e disse:
"Não, não! Não use parábolas aludindo a coisas concretas! Quero uma explicação intelectual clara do termo!"
"Então eu não vou usar nada concreto, e serei intelectualmente claro," disse o mestre. O monge esperou um pouco, e vendo que o mestre não iria continuar fez a mesma pergunta:
"Então? Qual o significado de Dharma-Buddha?"
O mestre apontou e disse:
"O cipreste no jardim."

Domingo, 21 de Setembro de 2008

Caçando dois coelhos

Um estudante de artes marciais aproximou-se de seu mestre com uma questão:
"Gostaria de aumentar meu conhecimento das artes marciais. Em adição ao que aprendi com o senhor, eu gostaria de estudar com outro professor para poder aprender outro estilo. O que pensa de minha idéia?"
"O caçador que espreita dois coelhos ao mesmo tempo," respondeu o mestre, "corre o risco de não pegar nenhum."

Domingo, 15 de Junho de 2008

O Importante Ensinamento

Um renomado mestre Zen dizia que seu maior ensinamento era este: Buddha é a sua mente. De tão impressionado com a profundidade implicada neste axioma, um monge decidiu deixar o Monastério e retirar-se em um local afastado para meditar nesta peça de sabedoria. Ele viveu 20 anos como um eremita refletindo no grande ensinamento.
Um dia ele encontrou outro monge que viajava na através da floresta próxima à sua ermida. Logo o monge eremita soube que o viajante também tinha estuda sob o mesmo mestre Zen.
"Por favor, diga-me se você conhece o grande ensinamento do mestre," perguntou ansioso ao outro.
Os olhos do monge viajante brilharam, "Ah! O mestre foi muito claro sobre isto. Ele disse que seu maior ensinamento era: Buddha NÃO é a sua mente."

Equanimidade

Durante as guerras civis no Japão feudal, um exército invasor poderia facilmente dizimar uma cidade e tomar controle.
Numa vila, todos fugiram apavorados ao saberem que um general famoso por sua fúria e crueldade estava se aproximando - todos exceto um mestre Zen, que vivia afastado.
Quando chegou à vila, seus batedores disseram que ninguém mais estava lá, além do monge. O general foi então ao templo, curioso em saber quem era tal homem.
Quando ele lá chegou, o monge não o recebeu com a normal submissão e terror com que ele estava acostumado a ser tratado por todos; isso levou o general à fúria.
"Seu tolo!!" ele gritou enquanto desembainhava a espada, "não percebe que você está diante de um homem que pode trucidá-lo num piscar de olhos?!?"
Mas o mestre permaneceu completamente tranqüilo.
"E você percebe," o mestre replicou calmamente, "que você está diante de um homem que pode ser trucidado num piscar de olhos?"

Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

Verdadeira regeneração

Ryokan devotou sua vida ao estudo do Zen. Um dia ele ouviu que seu sobrinho, a despeito das advertências de sua família, estava gastando seu dinheiro com uma prostituta. Uma vez que o sobrinho tinha substituído Ryokan na responsabilidade de gerenciar os proventos da família, e os bens desta portanto corriam risco de serem dissipados, os parentes pediram a Ryokan fazer algo.
Ryokan teve que viajar por uma longa estrada para encontrar seu sobrinho, o qual ele não via há muitos anos. O sobrinho ficou grato por encontrar seu tio novamente e o convidou a pernoitar em sua casa.
Por toda a noite Ryokan sentou em meditação. Quando ele estava partindo na manhã seguinte ele disse ao jovem: "Eu devo estar ficando velho, minhas mãos tremem tanto! Poderia me ajudar a amarrar minha sandália de palha?"
O sobrinho o ajudou devotadamente. "Obrigado," disse Ryokan finalmente, "você vê, a cada dia um homem se torna mais velho e frágil. Cuide-se com atenção." Então Ryokan partiu, jamais mencionando uma palavra sobre a cortesã ou as reclamações de seus parentes. Mas, daquela manhã em diante, o esbanjamento do seu neto terminou.

Domingo, 17 de Junho de 2007

Livros

Hsüan-Chien, quando jovem, era um devoto estudante do buddhismo. Estudou muito os conceitos e as doutrinas, e tornou-se muito hábil em analisar os termos complexos, e se considerava um expert em filosofia buddhista. Aprendeu de cor o Sutra do Diamante, e orgulhosamente escreveu um longo comentário sobre ele.
Um dia, sabendo que em Hunan havia um grande sábio que dizia coisas que ele não concordava, resolveu viajar até lá para provar, através de seu conhecimento, que o pretenso sábio estava errado. Ele pegou seu comentário Qinglong sobre o Sutra do Diamante e partiu.
No caminho, encontrou uma velha que vendia bolinhos de arroz. Cansado e com fome, falou à senhora:
"Gostaria de comprar alguns bolinhos, por favor."
"Que livros está carregando? ", perguntou a velha.
"É o meu comentário sobre o sentido verdadeiro do Sutra do Diamante," disse orgulhoso," mas você não sabe nada sobre esses assuntos profundos."
Após um pequeno momento em silêncio, a velha lhe disse:
"Vou lhe fazer uma pergunta, e se puder me responder eu lhe darei os bolinhos de graça. Se não, terá que ir embora, pois não vou lhe vender os bolinhos."
Achando-se capaz de responder qualquer pergunta, quanto mais de uma pessoa sem os seus anos de conhecimentos nos termos filosóficos, disse:
"Muito bem, pergunte-me".
"Está escrito no Vajracchedika que a Mente do passado é inatingível, a Mente do futuro é inatingível e a Mente do presente é inatingível; diga-me então: com qual Mente você vai se alimentar?"
Estupefato, Hsüan-chien não soube o que dizer. A velha levantou-se e comentou:
"Sinto muito, mas acho que terá que se alimentar em outro lugar", e partiu.
Quando chegou no seu destino encontrou Longtan, o mestre do templo. Tinha chegado tarde, e ainda abalado com o encontro anterior, sentou-se silenciosamente em frente ao mestre, esperando que ele iniciasse o debate. O mestre, após muito tempo, disse:
"É muito tarde, e você está cansado. É melhor ir para seu quarto dormir."
"Muito bem," disse o intelectual, levantou-se e começou a sair para a escuridão do corredor. O mestre veio de dentro do salão e comentou:
"Está muito escuro, tome, leve esta vela acesa," e lhe passou uma das velas acesas do altar. Quando Hsüen-chien pegou a vela trazida pelo mestre, Longtan subitamente assoprou-a, apagando a luz e deixando ambos silenciosos em meio à escuridão. Neste momento Hsüan-chien atingiu o Satori.
No dia seguinte, levou todos seus livros e comentários para o pátio e os queimou.

Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Uma xícara de Chá

Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.
Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.
O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
"Está muito cheio. Não cabe mais chá!"
"Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"

Domingo, 13 de Maio de 2007

Desfazendo Equívocos

Se você quer milagres, não procure o budismo. O supremo milagre para o budismo é você lavar seu prato depois de comer.

Se você quer curar seu corpo físico, não procure o budismo. O budismo só cura os males de sua mente: ignorância, cólera e desejos desenfreados.

Se você quiser arranjar emprego ou melhorar sua situação financeira, não procure o budismo. Você se decepcionará, pois ele vai lhe falar sobre desapego em relação aos bens materiais. Não confunda, porém, desapego com renúncia.

Se você quer poderes sobrenaturais, não procure o budismo. Para o budismo, o maior poder sobrenatural é o triunfo sobre o egoísmo.

Se você quer triunfar sobre seus inimigos, não procure o budismo. Para o budismo, o único triunfo que conta é o do homem sobre si mesmo.

Se você quer a vida eterna em um paraíso de delícias, não procure o budismo, pois ele matará seu ego aqui e agora.

Se você quer massagear seu ego com poder, fama, elogios e outras vantagens, não procure o budismo. A casa de Buda não é a casa da inflação dos egos.

Se você quer a proteção divina, não procure o budismo. Ele lhe ensinará que você só pode contar consigo mesmo.

Se você quer um caminho para Deus, não procure o budismo. Ele o lançará no vazio.

Se você quer alguém que perdoe suas falhas, deixando-o livre para errar de novo, não procure o budismo, pois ele lhe ensinará a implacável Lei de Causa e Efeito e a necessidade de uma autocrítica consciente e profunda.

Se você quer respostas cômodas e fáceis para suas indagações existenciais, não procure o budismo. Ele aumentará suas dúvidas.
Se você quer uma crença cega, não procure o budismo. Ele o ensinará a pensar com sua própria cabeça.

Se você é dos que acham que a verdade está nas escrituras, não procure o budismo. Ele lhe dirá que o papel é muito útil para limpar o lixo acumulado no intelecto.

Se você quer saber a verdade sobre os discos voadores ou sobre a civilização de Atlântida, não procure o budismo. Ele só revelará a verdade sobre você mesmo.

Se você quer se comunicar com espíritos, não procure o budismo. Ele só pode ensinar você a se comunicar com seu verdadeiro eu.

Se você quer conhecer suas encarnações passadas, não procure o budismo. Ele só pode lhe mostrar sua miséria presente.

Se você quer conhecer o futuro, não procure o budismo. Ele só vai lhe mandar prestar atenção a seus pés, enquanto você anda.

Se você quer ouvir palavras bonitas, não procure o budismo. Ele só tem o silêncio a lhe oferecer.

Se você quer ser sério e austero, não procure o budismo. Ele vai ensiná-lo a brincar e a se divertir.

Se você quer brincar e se divertir, não procure o budismo. Ele o ensinará a ser sério e austero.

Se você quer viver, não procure o budismo, pois ele o ensinará a morrer.

Se você quer morrer, não procure o budismo, pois ele o ensinará a viver.


Reverenda Yvonette Silva Gonçalves

Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

Buddha Cristão

Um dos monges do mestre Gasan visitou a universidade em Tokyo. Quando ele retornou, ele perguntou ao mestre se ele jamais tinha lido a Bíblia Cristã.

"Não," Gasan replicou, "Por favor leia algo dela para mim."

O monge abriu a Bíblia no Sermão da Montanha em São Mateus, e começou a ler. Após a leitura das palavras de Cristo sobre os lírios no campo, ele parou. Mestre Gasan ficou em silêncio por muito tempo.

"Sim," ele finalmente disse, "Quem quer que proferiu estas palavras é um ser iluminado. O que você leu para mim é a essência de tudo o que eu tenho estado tentando ensinar a vocês aqui."

Quarta-feira, 14 de Março de 2007

O Agora

Um guerreiro japonês foi capturado pelos seus inimigos e jogado na prisão. Naquela noite ele sentiu-se incapaz de dormir pois sabia que no dia seguinte ele iria ser interrogado, torturado e executado. Então as palavras de seu mestre Zen surgiram em sua mente:

"O "amanhã" não é real. É uma ilusão. A única realidade é "AGORA. O verdadeiro sofrimento é viver ignorando este Dharma".

Em meio ao seu terror subitamente compreendeu o sentido destas palavras, ficou em paz e dormiu tranqüilamente.